Trecos e truques na caixa de Pandora











Há algum tempo atrás, durante uma prova institucional, eu disse a uma aluna que exigia que eu pegasse seu caderno e anotasse uma fórmula matemática na lousa que, em hipótese alguma, eu não poderia fazê-lo, mas que ela deveria fazer a prova e depois questionar junto à instituição a respeito da questão que ela tinha dúvida.  Imediatamente, outra aluna se levantou no fundo da sala e, num ímpeto, me disse: “Você tem que escrever a fórmula, eu estou pagando”.

Virei-me, calmamente, e lhe disse: “Bem, você está fazendo uma prova, não comprando um produto da prateleira”. Devo dizer que lavei minha alma naquele momento.

No entanto, as pessoas se esquecem do contrato pedagógico concernente ao processo de ensino-aprendizagem. Para ser sincera, as relações tecidas no cerne de uma sociedade consumista depauperam a educação transformando-a em algo meramente utilitarista.

Podemos pagar por um lanche, um tênis, um carro, um passeio, uma joia etc. Daí, se estabelece um contrato de empresa e cliente protegido legalmente por um código que defende o direito do consumidor.

No caso do trabalho de um docente, o ‘produto’ não é algo concreto que você materializa num diploma ou numa nota no final do semestre. Na verdade, o diploma é um documento legal que corrobora sua formação. A própria palavra ‘formação’ reitera a ideia de processo.

Quando ouço a frase “Eu estou pagando” relacionada à educação, tenho espasmos porque sinto que diante do ‘deus dinheiro’ as pessoas acham que você é obrigado a se subordinar e aceitar tudo passivamente.

 As mulheres que vendem seus corpos devem ter a mesma sensação quando ouvem essa frase, claro, num contexto diferente.

Sou consciente de que vendo minha força de trabalho, segundo Marx. Mas isso não quer dizer que sou subserviente. Antes de tudo sou uma educadora e não uma prostituta intelectual.

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{20/05/2011}   Vivendo numa bolha

Quase não retorno a este blog para publicar textos. A falta de tempo e mesmo uma certa displicência, confesso, são as culpadas.
No entanto, quando alguma coisa me incomoda muito não vejo outra forma senão compartilhar o que penso.
Quando eu era criança, adorava escrever. A escrita era uma espécie de confessionário que me permitia me analisar de fora e enxergar possibilidades, a ter esperança e saber que todos os meus problemas passariam. Era uma espécie de exercício de fé que ao desembocar sentimentos através de uma caneta e um papel me permitiam racionalizar e crer que Deus estava no controle de todas as coisas.

Tenho me assustado com todas as discussões que têm permeado nossa sociedade. Me incomoda o modo como esvaziam o sentido das coisas, como o do tão em voga, bullying. Me incomod a forma como baseado em informações de telejornais os pais se apropriem de um conceito para proteger suas crias. É biológico tentarmos proteger a prole, mas vejo que estamos entrando num mecanismo fascista de superproteção. Estamos criando uma bolha e obrigando nossas crianças a viverem dentro delas.
Nasci em meados dos 80 e me lembro de várias crianças que estudaram comigo e tinham apelidos. Eu mesmo, ao mudar de escola, demorei muito para ser aceita por meus pares e sofria constantemente. Até o dia que resolvi me manifestar e isso mudou completamente meu comportamento e a forma como passaram a me encarar. Faz parte do amadurecimento e, simplesmetne, tartar do tema de forma sensacionalista e pueril nos levará a uma geração carente de um dos seus maiores direitos e privilégios que é aprender uns com os outros.

Como educadores e pais, devemos incutir valores humanos nas nossas crianças. Respeito, educação, gentileza, amor! E calma gente, não confundam TOLERÂNCIA com RESPEITO! É muito diferente!
Já falei aqui sobre o meu profundo desconforto com os termos politicamente corretos. Precisamos romper esse verniz social que nos obriga a adotar termos sutis quando a estrutura que está por baixo é um rolo compressor de preconceito.

É isso, e tenho dito!



{28/03/2011}   Marca da promessa



Oi pessoal,

Ando meio sumida!
Trabalho, trabalho e neste ano estou terminando meu mestrado! Sim, neste ano o bichinho tem que nascer! Vou contando para vocês o desenrolar dos fatos aqui!
Amo sapatos! Síndrome de mulher centopéia que não tem cura!
Quando eu era adolescente amava tênis! Conforto….
Hoje alio conforto a estilo. Pelo menos tento, né povo?!

Embora eu ame sapatilhas, meus modelos de sapato favoritos são os bonecas. Acho que são um estilo muito descolado-chique para qualquer pessoa.
Os sapatos boneca são conhecidos como sapatos Mary Jane!!
Bom, e vestem super bem. Um jeans e uma camiseta básica já compõem um look super bacana com um sapato destes!

Há também modelos baixinhos mega confortáveis que ficam um a graça com jeans, bermuda, saia ou mesmo vestido. Dá para adotar um estilo meio retrô conservando um ar de estilo pessoal com estes sapatos.
Gosto também de modelos diferenciados em que mesclam várias cores e desenhos nos sapatos bonecas de couro.
Nestes dias, comprei um que é na cor goiaba com joaninha! Na foto, a cor não está muito evidente, mas ele é uma graça!

Um abraço gente!



Dois mil e onze.

“Pesquisa diz que 5 mulheres apanham a cada 2 minutos”.

Cinco mulheres a cada dois minutos.
E a situação já foi pior: há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo.

A pesquisa, que foi feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc, projetou um cenário de horror. Realizada em 25 Estados, a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado ouviu em agosto do ano passado 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos.

“Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas“, diz Gustavo Venturi, professor da Universidade de São Paulo (USP) e supervisor da pesquisa.

Sim, é um problema público. É a sua filha, sua irmã, sua mãe. Mulheres do meu Brasil, já se foi o tempo em que não tinhamos voz e vivíamos na era da Testosterona. Denuncie. Lute por você. Ninguém merece conviver com a violência.

Inacreditavelmente, ficou concluído que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões – 1,3 milhão nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
Entre os pesquisados, 85% conhecem a lei Maria da Penha e 80% aprovam a nova legislação. Mesmo entre os 11% que a criticam, a principal ressalva é ao fato de que a lei é insuficiente.

Basta.

Fonte: http://malvadas.org/2011/02/chega-de-violencia-domestica/



{24/11/2010}   Candeeiro

Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. (Clarice Lispector)

Já faz um bom tempo que não compartilho neste blog um pouco da minha vida.
Palavras… apenas palavras.
A verdade é que mais um ano escorreu entre nossas mãos. Com ele, morrem as frustrações de coisas que não fizemos e dos planos que ainda revivem cada vez mais fortes impulsionados pelo novo que começa… pelo recomeço que só é continuidade.
Hoje me deu uma vontade absurda de ler Clarice Lispector… talvez porque é como se a escrita dela nos lesse por dentro como um microscópio colocado para observar nossa alma.
Quando somos adolescentes temos tantas angústias e incertezas. Daí o tempo passa… e descobrimos que as angústias e incertezas só mudam de lugar. Elas não estão mais no vestibular, no primeiro emprego, naquele show que nosso pais não quer que vamos, na ‘amiga’ que deu em cima do nosso gatinho, no carinha da escola que não nos dá bola…
A gente cresce e percebe que as preocupações são outras: as contas que despencam na nossa cabeça, o primeiro fio de cabelo branco que um dia aparece, o aluguel e a compra da casa própria… uma pós, uma viagem e a vontade de comprar uma mochila colocar meia dúzia de roupas dentro e sair por aí desbravando este mundo de meu Deus…
A alma não tem idade! Ela é livre!
Um candeeiro está sob a minha janela. É uma imagem quase poética porque a luz se refrata no ambiente em várias cores por causa do vidro que envolve a chama da vela.

Penso que a vida tem que ser assim… às vezes não temos ânimo para sorrir, mas devemos porque a vida todos os dias nos sorri com um belíssimo espetáculo ofertado pela natureza.
Os amores que vêm e os que se vão… o que nos ensinam e a vontade de sempre continuar.
Quantos mistérios ainda por descobrir?
Vale muito a pena refazer planos, expectativas e sempre esperar o melhor da vida, o melhor das pessoas e, principalmente, esperar e fazer o melhor de si mesmo.



Sim, dias frios com vento que penetra e congela os poros.
Penso que dias como estes podem prenunciar outros mais bonitos e floridos que sem dúvida a primavera trará.
Não sei se temos força para continuar acreditando que as coisas vão mudar… ano de eleições! Ano de copa e os anos se sucedem enquanto sabemos que nós vamos passar, mas a espécie… ah, esta continua!
Andei lendo Caio Fernando Abreu… passional até a alma, dilacerante ler e alguma vez se ver um pouco refletido. Julgamos a superfície intacta do vazio, julgamos aquilo que vemos e pensamos saber o que sentimos. Vivemos com medo o tempo todo: medo de mudar o cabelo, o penteado, de casa, de emprego, de namorado, de cidade, de país… flores amarelas de medo!
Optamos pelo politicamente correto não porque é correto, mas porque é político. Por isso, encrenco com termos “politicamente corretos” porque eles dissimulam, na minha opinião, o que querem esconder amenizando o efeito, mas não extinguem a idéia. São como palavras de ordem carregadas de “politesse”.
No Brasil, todos os dias vejo as pessoas usando estes termos e isso me incomoda. Recentemente criou-se a distinção entre “motoqueiro” e “motociclista” para mostrar que um é irresponsável no trânsito e o outro é a outra face da moeda quando na verdade essa distinção não diz nada porque se você está dirigindo a sua moto e cai dela todo mundo vai parar para ajudar. Por isso, essas criações sociais que particularizam grupos segregando outros me são estranhos. Tudo bem querer separar joio de trigo, mas há que convir que é sempre uma tarefa árdua e difícil senão impossível.
É muito mais fácil, ao menos no Brasil, buscar por soluções mais rápidas, soluções paliativas. Sempre assim em qualquer parte. Está aí mais uma demonstração do “jeitinho brasileiro”! É mais fácil buscar por uma solução paliativa do que ir na raiz do problema. Enfim, daí vamos arrastando a coisa com a barriga e inventando novos termos mascaradores de ideologias que não mudam… mudam quando muito de roupagem, mas no fundo continuam sendo o mesmo de sempre.



Mary & Max

Sempre quando a gente vê que há uma animação em cartaz a primeira coisa que passa pela cabeça é que deve ser bonitinha, inocente e, em última instância, até infantil.
Ontem fui assitir ao filme Mary & Max. O enredo é bastante simples: uma garotinha solitária de nove anos começa a se corresponder com um adulto desconhecido.
Ela é Mary Daisy Dinkle e tem oito anos, tem complexos, não tem atenção dos pais, a mãe tem problemas com alcoolismo e “pega emprestado” objetos nos supermercados enquanto o pai passa as horas vagas cuidando de pássaros empalhados e alheio ao mundo que rodeia a filha que, segundo a mãe, foi um acidente.
Ele é Max Jerry Horowitz, de 44 anos, vive na cinzenta Nova York e fequenta um grupo de pessoas que lutam para emagrecer, o único círculo social em que convive. Ele é um judeu que se autodenomina ateu e que cria peixes. A única pessoa com quem dialoga é seu psquiatra.
O elo que vai uní-los é a busca de um amigo, pois ambos vivem soterrados pela solidão de ser um indivíduo que não se encaixa na aparente nomalidade ditada pelo mundo.
Eles trocam cartas, experiências, doces e chocolates. Mas, para além disso, o filme evidencia a sensibilidade que há por trás da descomprometida e verdadeira amizade.

O filme não é “bonitinho” por ter um enredo alegrinho ou com final feliz. Sem essa de mamão com açúcar ou daqueles temas hollywoodianos tão batidos. Antes, evidencia através dos dilemas das personagens as tragédias pessoais que cada um enfrenta ao longo de vários anos.
Mary cresce, se torna adulta, tem sucesso profissional.
Max ganha um prêmio milionário.
Mas nada disso resolve as questões que cada um trazia dentro de si. E eles vão aprender que para além das perdas que a vida nos traz, existe sempre um motivo para recomeçar todos os dias. E a escolha é sempre nossa!

O filme caminha numa linha tênue entre a comédia e a melancolia provocando ora perplexidade ora um riso nervoso. A animação é feita de massinha, mas os temas são os mais realistas possíveis. É um daqueles filmes que a gente tm dificuldade em classificar porque foge aos rótulos.

Vejam vocês que a classificação etária dele é 12 ANOS!!! Isso mostra o despreparo de quem julgou este como um filme para crianças, pois a (des)animação toca em problemas muito sérios que naufragam vidas e mexem com a psique humana. Um filme tocante que comove crianças de 0 a 80 anos e que trabalha problemas de ordem pública e social como o alcoolismo, a depressão e as doenças mentais de forma humana e com um ótica singular.

SUPER RECOMENDO!



Muito tempo sem aparecer por aqui… mas a copa acabou, entreguei parte do capítulo do meu trabalho e a vida continua.
De alguma forma, a gente sempre pressente quando chega um novo tempo na minha vida. Coisa de feeling, sexto sentido ou mesmo intuição; não importa o nome que a gente dê para isso.
Já faz um bom tempo que eu pressentia que este seria um ano paradigmático na minha vida. Não um ano em que a gente ganha na megasena (se bem que se um prêmio será muito bem-vindo =] ), que a gente compra um carro novo se endividando em mil e uma prestações ou o ano em que a gente faz aquela viagem que há muito tempo tinha planejado.
Há mudanças que são dentro da gente, que mexem com nossa estrutura psíquica, emocional e espiritual. Mudanças que, guardadas as devidas proporções, nos mostram que nossa vida por aqui é uma passagem, e efêmera. Enfim, nós passamos… e a espécie continua.
De alguma forma, eu sei que este é um ano que vai dizer muito sobre meu futuro. Ele está permeado por escolhas que não foram fáceis e por situações que tem me ensinado o quão humana eu sou.
Temos que tentar olhar para aquilo que é essencial: um gesto, uma palavra, um sorriso… Tudo isso vai passar, nós mesmos estamos passando e o que fica?
Penso, por exemplo, na grande comoção que nos causa a Copa do Mundo. De quatro em quatro anos o país de colore de verde e amarelo, as pessoas saem nas ruas, cantam o hino nacional… mas aí vem a eliminação e o espetáculo se desfaz como uma poeira que abaixa. Acho que temos muitos motivos para nos orgulhar de ser brasileiros: temos uma cultura lindíssima, autores como Machado, Guimarães, Drummond, Clarice; pagamos o FMI, nossa população tem muito mais mobilidade entre as classes sociais etc. Não me acho utópica, não tenho partido político, não tenho religião, embora acredite em Deus e todos os dias eu oro agradecendo pela oportunidade de mais um dia.
Temos que ser patrióticos nas eleições pensando no que queremos para nosso país e o que queremos para a geração que está nascendo.
Neste final de semana estive cuidando das minhas sobrinhas. Elas têm 5 e 3 anos, respectivamente. Pensei com alegria que elas não terão a mesma dificuldade que eu para chegar ao ensino superior. Isso nos acende a esperança: ver uma geração que tem mais oportunidade.
Sinto que este é um ano ímpar na minha vida, embora 2010 seja par RÁ! (*_*) E isso não significa que está sendo um ano fácil. Como disse, ele já começou permeado por escolhas! Tem sido de grande ensinamento as dificuldades, as oportunidades, os objetivos. Todo mundo se sente meio herói e meio moçinha em perigo às vezes… acho que isso faz parte! Ás vezes nosso coração diz “Continue”, noutras ele assinala uma bandeira branca pedindo somente paz.
Os dias vão se sucedendo, os meses vão passando e o ano vai acabando. E eu te pergunto: o que fica de mim e de você? Não sei… talvez o desejo de que as coisas sejam melhores, de que o mundo seja melhor, de que a vida seja mais generosa, de que os homens sejam mais compreensíveis. Mas o nosso amanhã começa hoj porque o futuro não passa de uma virtualidade.
Ore baixinho e peça forças para fazer do mundo ao seu redor um lugar onde a distância entre você e Deus seja o próximo, pois Ele sonda as nossas mentes e os nossos corações…



{25/04/2010}   O túmulo dos vagalumes

Há muito tempo ouço falar deste anime O Túmulo dos Vagalumes .
A história de dois irmãos, Seita e Setsuko, que vivem as consequências da Segunda Guerra Mundial no Japão.
A obra de Isao Takahata é baseada na história real narrada no livro Akiyuki Nosaka e é um tiro na consciência de cada um. Até a pedra mais resistente cede à sua força.
A obra é tocante do começo ao fim e comove os telespectadores. Mega produções hollywoodianas não conseguiram, na minha opinião, expressar a singeleza de um sentimento com os horrores da guerra explorando seus contrários como fez este desenho. É impossível ficar incólume. Todos desabam no final.

Recomendadíssimo:



et cetera