Trecos e truques na caixa de Pandora











{05/04/2009}   A elegância do poá

Para quem gosta de moda, não há como não pensar nas tendências da moda. Contudo, o que muita gente esquece é que a moda vendida hoje como padrão de comportamento coopta corpos e gostos massificando-os e tornando a singularidade algo cada vez menos constante.

É óbvio que as grandes marcas trabalham com renomados estilistas e que os cortes das roupas, muitas vezes, são bem bacanas. Contudo, o que fascina milhares de pessoas a quererem obter um objeto que está na moda é o poder de ostentação que advém dele. É assim, por exemplo, com a Ferrari. Ninguém discorda que é um carrão, mas a gente nem pensa no  modelo e já se convencionou a tomar metonimicamente a marca pelo produto.Com a moda, se passa algo similar.

Vende-se não só roupas, acessórios, perfumes etc., mas também se dita que tipo de corpo “ter” para fazer parte deste ciclo da moda. Daí, não é de estranhar a avalanche de garotas com bulimia que, para ter um corpo padronizado passam fome enquanto garotos tomam “bombas” nas academias para ficarem musculosos.  Sinto que passamos por um momento histórico em que nos preocupamos demasiado com o olhar do outro. Contudo, este olhar não está no campo das essências como se nos constituíssemos através do outro, mas sim no campo da aparência, pois tentamos a todo custo parecer aquilo que não somos.

Observa-se a moda se esquecendo de que ela é também retrato de uma época. Ela serve para explicar, por exemplo, os comportamentos de um determinado momento histórico. Em outras palavras, a moda pode dizer muito sobre a cultura de um povo. Neste sentido, as novelas, ao menos aqui no Brasil, lançam uma moda que na maioria das vezes não corresponde com o significado cultural que ela tem para um povo. Daí, quando se trata da indumentária usada por outros povos, acaba se tornando uma caricatura.

Gosto de moda e, claro, existe todo um glamour por trás desta indústria. Prova disso são as eternas divas do cinema que lançaram moda como, por exemplo, Audrey Hepburn. Contudo, acredito que deve-se assumir uma postura onde o bom gosto não ceda lugar à ostentação pura e simples e onde “estar na moda” não signifique usar as últimas tendências, mas vestir03042009102-se como se gosta e como se sente bem.

Deixando o blá blá blá de lado, gostaria de tecer um breve comentário sobre o tecido poá. Já ouvi de uma professora que era tecido de avó (Sim!!!!). mas enfim…isso prova que o bom gosto da moda permanece. Como disse outras vezes, nota-se que há um revival da moda e, como não poderia deixar de sê-lo, os artigos e acessórios em poá são lindíssimos.

Sou super a favor da moda, mas acho que é importante manter uma consciência sobre o que ela é nos dias atuais. Há que se valorizar o que ela nos agrega e que nos diz culturalmente sobre nós mesmos para que possamos usar a moda sem que sejamos apenas consumidores vorazes dela.

É isso!!!

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et cetera