Trecos e truques na caixa de Pandora











Há dias atrás, postei aqui no blog sobre o Roacutan.nivea

Bem, estou bem no finalzinho do tratamento e dentro de poucos dias já vai ter acabado!

Um dos sintomas que mais me incomodou durante o tratamento foi o ressecamento dos lábios. Minha dermatologista passou um creme meio caro e, por coincidência, eu estava na farmácia e acabei comprando um batom hidratante da Nívea -NIVEA Lip Care Hydro Care. Usei ele durante  todo o tratamento e indico para que experimentem, pois é discreto, barato,  hidrata mesmo os lábios e ajuda quando a boca saudável quando ela estiver ressecada e descascando.

Esta pequena dica tem apenas o intuito de ajudar as pessoas que estão fazendo uso de Roacutan a passar pelo tratamento da melhor maneira possível.



{20/05/2009}   Helena

Muitas vezes, temos o coração cindido. Seja porque perdemos alguém a quem amamos, seja porque nunca a tivemos ao nosso lado.

Naquela manhã de outono em que os raios do sol transpassavam as folhas das árvores criando um efeito luminoso no solo repleto de pequenas folhas brancas e amarelas, Helena calmamente lia um jornal.

Nossa personagem já gozava de seus vinte e sete anos. Era uma mulher forte que resolvera enfrentar a vida de frente, apesar tenra  da juventude. Quando criança, Helena gostava de ficar  olhando os barquinhos que seu irmão fazia com folhas de caderno e soltava durante as enxurradas imaginando que talvez um dia estivesse a partir num grande navio para bem longe. Enquanto isso, sua mãe gritava ao fundo dizendo que eles não deveriam desperdiçar folhas de caderno porque custavam caro.

Apesar de seus pezinhos gordos e seus dedinhos roliços fixados à terra, Helena tinha vontade de tocar as nuvens imaginando que elas se dispersassem entre  seus dedos como algodão doce que se desmancha na boca tornando a saliva doce.

Assim era ela, acreditava que a materialidade da vida era feita de nuvens!

Seus olhos grandes e amendoados eram de um castanho escuro que mais lembravam duas apetitosas jabuticabas. Era o contraste perfeito com uma pele alva e um cabelo longo que suavemente lhe caía pelos ombros formando pequenas ondas nas pontas. Quem quer que a olhasse podia ver a leveza de um bater de asas de borboleta, mas sentir pulsar a intensidade de um vulcão. Conjugadora de contrários, Helena era como um grande barril de pólvoras que quando explode se desfaz em purpurinas…. um espetáculo para todos os olhos.

A ternura de seu olhar podia logo se transformar numa mirada lancinante que deixaria qualquer um transpassado, assim como Teresa ferida por seu anjo ou ainda como aquela mulher que petrificava quem ousava olhar dentro em seus olhos.

Einsten já dizia que para ele os olhos eram entrada da alma… assim foi que sucedeu com a pobre Helena naquela manhã em que o jornal deslizou suavemente no chão e o vento carregou suas folhas fazendo com que ela ficasse estática. Alguns transeuntes passavam enquanto ela saltitava como a menina que fora um dia para agarrar as folhas impressas. Suavemente, pousou-lhe uma mão sobre a sua. Um átimo de segundo em que ela pode sentir aqueles dedos gelados enquanto o sangue parecia ferver-lhe nas veias e o coração batia ritmado numa cadência nova, totalmente desconhecida. Helena entreolhou o desconhecido e mil emoções vieram à tona naquele momento. Seus dedos trêmulos tentavam inutilmente agarrar o papel que suavemente repousava sobre as folhas amareladas pelo sol e pelo vento do outono, mas eles já não lhes obedeciam.

Não sabia se aqueles sentimentos a transformavam numa super-heroína ou revelavam a criança frágil que todos trazemos adormecida dentro de nós. Não, quem estava ali despida diante da vida era uma outra Helena, a Helena que desconhecia a si mesma, mas que conseguia sentir pulsar em si o látego da vida . Era Helena mulher. Não a mais bela que causou a paixão de Páris e moveu Aquiles, mas outra completamente distinta que, mesmo sem a paciência de Penélope em conviver com a espera, tecia dentro de si o fio frágil e tênue que compõe histórias e que é capaz de desbravar caminhos apontando direções como as grandes constelações que não só iluminam o firmamento, mas servem de estrada para os navegantes já que estes têm o mar como céu invertido. Era o fio de Ariadne capaz de criar uma rota no labirinto, mesmo que ao final seu destino fosse desfiar-se por completo em meio à solidão dos amantes indo ela também virar estrela que alumia o universo.



{12/05/2009}   Ausência

É curioso como a gente agrega amigos ao longo da vida. Embora a gente viva num ritmo frenético e o tempo seja sempre escasso, é necessário reservarmos momentos para conviver com pessoas que fazem a nossa alma sorrir. Vivemos nos equilibrando entre mil compromissos: o trabalho, a balada de sexta à noite, a facu, a família, os amigos, o namorado, o marido, os filhos, o cachorro etc. e nem nos damos conta que a vida se faz desses acontecimentos pequenos que, às vezes, ficam soterrados no que a gente chama de “dia-a-dia”.

Noutro dia conversando com dois amigos pelo MSN que pediam pra que eu atualizasse meu blog com maior freqüência, me dei conta de que espaços virtuais como este podem nos aproximar das pessoas ou presentificá-las. Dizem alguns que quando alguém escreve um texto, ele já não lhe pertence, pois passa a ser de quem o lê. Assim, são com os grandes poetas e escritores que deixaram suas obras como legado. Modestamente, escrever num blog talvez seja uma forma de também de nos manter perto das pessoas e partilhar com eles um pouco deM9pf2P7MFn1xycblqkz7qAt0o1_400 nós.

Pode parecer cafona à primeira vista e talvez seja mesmo, mas é estranho olhar para as pessoas e sentir que as relações humanas estão meio que desgastadas. Noto que pequenas gentilezas que podem fazer a vida ser mais interessante e mostrar como as pessoas se importam umas com as outras são substituídas pela indiferença. Não, melhor, são substituídas pela impessoalidade. Por exemplo, às vezes você pessoas no ônibus se equilibrando com a bolsa e pouquíssimos são os que se oferecem para ajudar. No trânsito vejo uma cena que juro é digna de roteiro de cinema de tão absurda: uma fila de carros looooooonga e todos os carros somente com o motorista!!!! Mon dieu Ô.o

Morar numa cidade com a magnitude de São Paulo faz com que tenhamos por vezes motivos que nos fazem sorrir e outros que nos fazem chorar. Semana passada peguei um ônibus com uma motorista muito estilosa loura, vestida com uma calça com estampa de onçinha, a cortina que recobria o vidro atrás da cadeira dela também tinha estampa de onça e com algumas penas amarelinhas em cima. Ah, o volante e o cambio eram revestidos por paninhos feitos de crochet. Em linhas gerais, aquilo era um luxo trazendo graça e feminilidade para uma profissão tão difícil de quem convive num dos trânsitos mais violentos do mundo. Mudem a frase machistas de plantão: Mulher no volante, elegância constante!!

Estas idéias esparsas são apenas uma forma de manter contato com o mundo e partilhar minhas experiências e vivências pessoais. E também uma forma precária que não anula de forma alguma a falta que sinto das pessoas que amo e que gosto de estar perto, mas que por força do destino tenho longe. Compartilhar fatos rotineiros como este, à primeira vista, é nonsense e claro não substituem a relação “olhos nos olhos”, mas uma pequena tentativa de me manter próxima, enquanto tento me manter num equilíbrio precário e lindo a que chamo de VIDA.



et cetera