Trecos e truques na caixa de Pandora











{16/01/2010}   Crise pré-balzaquiana

Há pouco mais de uma hora entrei no meu inferno astral. Sim senhores! Daqui há um mês estarei completando mais uma primavera como costuma dizer minha mãe.

Balanço do ano anterior: um affair que já dura quase um ano (sim, é  possível), uma promoção no trabalho, bastante estresse, perdas de cabelo, um tratamento com Roacutan concluído, uma cirurgia vascular recente, férias no Rio de Janeiro, muita correria na pós-graduação e um mar de coisas ainda por fazer. No geral, foi um ano conturbado que passou ligeiro, mas em que o saldo foi bastante positivo, graças a Deus.

Gastos controlados, dívidas pagas. Ano positivo! Planos: viagens que são meu verdadeiro sonho de consumo. Se eu ganhasse na mega-sena juro que compraria uma mochila, colocaria algumas peças de roupa dentro e sairia por este mundo de meu Deus para explorar as belezas que ele oferece. Ah, meu segundo desejo era entrar numa livraria e comprar centenas de livros e montar uma big biblioteca. Gastaria meu tempo viajando e lendo! 😀

Aos poucos se aprende que a gente deixou de ser a filhinha do papai e já é quase uma balzaquiana com linhas de expressão que se desenham no rosto como um desenho quase infantil. Hora em que se visitam as revistas da Avon e se presta atenção nos milagrosos cremes anti-rugas. #tenso

Tudo bem. O pior é conviver com estes programas televisivos que transformam mulheres medonhas em Barbies. Também não aguento ouvir falar dos tratamentos que começam com lipo-succão-não-sei-das-quantas e que prometem eliminar todas as gorduras, pneus e levantar o que a gravidade uma hora ou outra derruba. Não quero usar silicone e tampouco reduzir o tamanho dos meus seios.

Não prometo que começarei a dieta na próxima segunda-feira. Aliás, acho dieta de comida uma verdadeira violência quando tantos passam fome. Prefiro acreditar que devemos nos alimentar com bom senso já que a natureza nos dá o alimento como dádiva para que possamos nos manter vivos.

Minha pele, minha cor, meu nariz, minha boca e meus cabelos traduzem os genes de meus antepassados: negros, índios e europeus. Portanto, sou uma típica brasileira que se orgulha de pertencer a todas as etnias. Sou, como muitos, uma mescla de todas elas que transformaram a beleza de nosso povo em algo ímpar.

Não gostaria de ser mais alta! Estou feliz com meu 1,60m.

Gosto de ser mulher, mas odeio ficar menstruada. Sim, o mau humor, os inchaços e a loucura por doces tomam minha mente. Nestes dias, meu humor é negro.

Odeio o trânsito de São Paulo. Mas adoro o que essa cidade fantástica tem para oferecer.

Gosto do outono porque ele tem sol e frio concomitante e as pessoas de vestem elegantemente nessa época.

Uso saltos quando quero e havaianas quando me convem. Tenho paixão por sapatos boneca 😀 😀

Amo a cor lilás e suas matizes. Amo chocolate. Amo ouvir música.Amo literatura.

Às vezes tenho esperança na humanidade. Às vezes não.

Odeio que me perguntem se vou me casar. Sim, esta é a pergunta mais ridícula feita por familiares. Eu decido se quero e se vou me casar, afinal o casório é uma instituicão social historicamente constituída e não uma obrigação que tenhamos que cumprir. Com tantos divórcios por aí, fica claro que se casar para não ficar sozinho é a pior forma de tentar ter uma companhia já que a solidão a dois é o pior dos castigos.Outra coisa importante, manter ao nosso lado alguém só porque queremos que ela esteja conosco é o pior dos egoísmos. Afinal, isso não é amor e sim uma patologia. O amor deixa e é livre.

Odeio secar louça, odeio cozinhar por obrigação e passar roupa é o pior dos castigos. Mas gosto de lavar pratos, lavar roupa e limpar geladeira 😀

Amo o barulho da chuva e cheiro de terra molhada.

Adoro mesa farta e família reunida. Amo meus amigos.

Digo para as pessoas que as amo, pois se eu faltar elas saberão o que sinto e eu seguirei em paz comigo mesma.

Coloco todos os dias a cabeça em paz em meu travesseiro.

Choro quando vejo que as pessoas têm fome e não tem o que levar à boca.

Já pensei em anular meu voto.

Tenho orado pouco, mas creio em um Deus vivo.

Acho que as pessoas que amamos viram estrelas quando deixam de existir para guiar nossos caminhos.

Amo a música dos anos 80. Reclamo de muita coisa, sou ranzinza, às vezes. Tenho o péssimo hábito de ser muito direta e às vezes acabar ferindo as pessoas que amo.

Sei pedir perdão e aprender com meus erros.

Quero ser melhor todo o dia e por isso meu propósito é fazer das críticas construtivas um alicerce para minha superaçao.

Tenho orgulho de não guardar mágoas. Isso me faz sentir leve e feliz.

Amo Carlos Drummond de Andrade, Chaplin, Dom Quixote de la Mancha e Renato Russo.

Já amei uma vez de verdade. O tempo passou, meu amor se transformou.

O tempo está passando depressa. Em mim, rastros da adolescente que fui, marcas da mulher que sou e do tempo que escoa pelas minhas mãos e que imprime em mim o desejo de que todo o dia seja um dia melhor.

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et cetera