Trecos e truques na caixa de Pandora











{21/02/2010}   Mulher (es)

Nós mulheres vivemos nos queixando por viver numa sociedade cercadas pelo machismo.
O próprio idioma carrega um imáginário linguístico que mostra as marcas do preconceito. Por exemplo, chamar um homem de vagabundo ou cachorro não tem certamente a mesma carga semântica se usássemos os mesmos designativos para uma mulher. Soa despectivo e extremamente grosseiro palavras como esta dirigidas a uma mulher.
Com a queima de sutiãs, as mulheres lutaram pela igualdade com os homens. Foi uma luta em prol daquilo que elas achavam que seria fundamental para a liberdade da mulher e pelo respeito no cerne familiar, no trabalho, na faculdade ou em qualquer ambiente. Tais mulheres viviam um momento histórico totalmente conturbado e que necessitava intervenções drásticas para se valer respeitar o que se cunhou como “direitos da mulher”. Na verdade, nunca seremos iguais porque na diferença é que reside a beleza. Mas gozar dos mesmos direitos é o mínimo exigível numa sociedade que se anuncia no século XXI. Porém, na prática a coisa não funciona bem assim.

Na minha parca opinião, não é errado querer estar num mesmo patamar que o homem já que somos todos seres humanos independentes do sexo que nascemos. Atuando em seus extremos, tanto o machismo quanto o feminismo professam palavras de ordem que tendem a uma disputa fadada ao fracasso porque proclama uma luta desnecessária. A luta a ser travada deve ser contra o preconceito em todas as suas formas. Não é pelo sexo com que nascemos, pela cor que temos, pela opção sexual que escolhemos que devemos ser julgados. A vida é o que vale a pena e não os rótulos que vamos forçosamente acumulando ao meio do caminho.

Ser mulher não é pertencer ao sexo frágil. É pertencer a um sexo forte que é capaz de gerar a vida. Por isso, não podemos nos sujeitar às palavras de ordem que nos subjugam e também não servir de molde para o machismo já que, na maioria das vezes, as próprias mulheres educam os homens no sentido de que eles ajam assim. Acho que devemos pensar um tipo de relação na sociedade que prime pelos direitos e deveres de cada um, temos que ser fortes e não nos conformar com a idéia de que somos cidadãos de papel.

Ao menos no Brasil, seria importante pensar qual a posição da mulher hoje. Em pleno século XXI, leis como a  “Maria da Penha” são aprovadas por causa da violência doméstica. E todos os dias sabemos de inúmeros casos em que há preconceito de gênero, violência e, mesmo aquelas frases prontas que escutamos rotineiramente  que desqualifica as mulheres em situações  do dia-a-dia, como por exemplo, dirigir um carro: “Vai pilotar fogão!”

Essas fórmulas prontas vendidas como piadas ou “brincadeiras” são formas fascistas de desqualificar o outro e demosntram o quanto ainda precisamos nos livrar de hábitos coloniais.

Talvez tudo isso fosse possível com um pequeno gesto de respeito que fosse de encontro ao outro, uma pequena forma de desvencilhar-se dessa forma tão cômoda que ousamos chamar de “eu”. E, talvez, as coisas fossem diferentes.

Sou feliz por ser mulher! Me aceito com meus quilinhos a mais e até acho que eles me caem bem. Adoro novas cores de esmalte,  testar produtos nos cabelos e maquiagens. Adoro  sapatos boneca, pois sofro da síndrome de mulher centopéia. Gosto de jogos de futebol, me interesso por mecânica e sou mot0ociclista. Quando criança, repudiava brincar de boneca e fazer comidinha. Eu preferia mil vezes soltar pipa, jogar bolinha de gude (eu amava as bolinhas americanas) e brincar de pega-pega.

Amo a diferença! Acho lindo quando as pessoas se amam e se respeitam. O sexo foi pré determinado biologicamente. A reprodução também o é. E o amor pelo outro foi uma das maiores liçoes que nos ensinou o Filho de Deus. O dia que aprendermos isso como ponto forte não haverá qualquer tipo de “ismo” e homens, mulheres e crianças poderão viver num mundo de essência e não de aparência onde o que pensa ser mais forte tenta subjugar a todo custo o outro.

Uma coisa que ainda me deixa muito irritada é quando algum gringo com quem trabalho me pergunta se eu sei sambar. O velho estereótipo da mulher brasileira que é a metonímia de uma bunda rebolando. Nada contra o carnaval nem contra quem constrói sua imagem em cima disso. Mas nós brasileiras somos muito mais que este velho estereótipo que movimenta o turismo por aqui! Dependendo do tom da pergunta eu oscilo entre uma resposta educada ou um sonoro “Eu odeio carnaval”. Não, eu não odeio o carnaval em si, afinal vim ao mundo numa terça carnavalesca! Mas a festa comercializada hoje pelas emissoras de TV já não é a de antigamente e nem é aquele que a gente vê nas quadras das escolas. E, ainda por cima, é vendida a imagem de uma mulheres lindas e maravilhosas que encantam por sua beleza, mas que se estapeiam e pagam para ser destaques e aparecerem nas colunas de jornais e revistas. A fama tem seu preço!

É ótimo que o Brasil seja reconhecido pela beleza de seu povo. Mas é importante que o país tenha outros marcos como a erradicação do analfabetismo, a inteligência comercial, o avanço das pesquisas científicas e tecnológicas, a justiça para todos (e que não haja privilégios para quem é colarinho branco etc. Enfim, que não sejamos um país marcado pelo turismo sexual.  Que nós mulheres tenhamos direitos respeitados e que os homens, assim como nós, tenham os seus assegurados porque somos iguais pela Declaração dos Direitos do Homem e é da fusão entre estes dois seres que surge a vida e anossa  espécie é perpetuada.

Lembrem-se que este é um ano de eleição. Ano em que obras faraônicas são inauguradas com o intuito de anagariar votos. Peço apenas que você, caro leitor, pense em quem morreu num porão da ditadura para que você tivesse o direito de votar livremente. Por isso, não se iluda com promessas, procure saber da vida do seu candidato e vote porque você deseja um país justo param homens, mulheres e crianças, ok?

Um beijo



Meu inferno astral está acabando. Em breve, o Sol entra no meu signo. Completarei mais um ano de vida. Sabe aquela sensação de que o tempo tá indo embora rápido demais? Pois é, ela não me deixa. Dá uma sensação de vazio e de que somos tão pequenininhos frente a grandeza da vida. Me considero pré-balzaquiana embora ainda não posso cantar a ‘Vinte nove’ da Legião. Sabe aquelas ruguinhas que acha que vai ter só aos 30? TRISTE ENGANO. Elas aparecem muito antes. Em volta dos olhos, linhas que começam a se desenhar como um desenho infantil. Mas sei que foram todos os meus sorrisos.
Fato que as lágrimas criaram verdadeiros bolsões, praticamente lençóis freáticos em minha face. Não posso reclamar, graças a ajuda do Roacutan hoje tenho um rosto de mulher e não mais espinhas de eterna adolescente.
O cabelo também está mudado. Parece mais frágil. Minha escova anda hemorrágica. #fato.
Semi varizes nas pernas, resultado de horas e horas de trabalho!¬¬
Sono constante + embriaguez instantânea. Uma cerveja me deixa ébria! Meu sonho de consumo são 8 horas de sono.
Fora a ânsia social de casamento, filhos, bons empregos, casa própria, ascensão.
Não, eu não plantei uma árvore, não escrevi um livro.
Não sou membro de Ong, não sou do movimento estudantil.
Não faço coleções importantes e raras, não gosto de comidas exóticas.

Não sei combinar vinhos e pratos.
Não to preocupada com o tratamento novo pra celulite, aquelas coisas que tem nomes que começam com linfo, sucção daquilo, ou sei lá que raios.
Não curto bronzeamento artificial, eu gosto de ser assim, transparente, filha óbvia da metrópole do ar condicionado.
Não quero emagrecer com sibutramina, encorpar com suplemento, ou malhar na academia.
Tenho que parir meu mestrado, não quero um carro zero e prestações milenares.
Não faço unhas na manicure, não leio Marie Claire, não quero saltos altos e camisas em seda. Prefiro meus sapatos boneca e um ar de eterna menina que sente o tempo passar e tem medo de envelhecer. Não pelo que a passagem dos anos representa, mas pela sensação de que ele é o tempo todo furtado de nós.

Tenho manias e me gosto de ter um dia em casa sem fazer nada, mas eles são cada vez mais raros.

Me dá uma certa nostalgia escutar a Legiao Urbana. Antes uma menina mulher, agora uma mulher menina!
Não quero crescer, eu acho.

Inspirado em artigo de blog homônimo sob o título de  [Crise dos 24.] 



{14/02/2010}   Momento poético

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
“Que que cê acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar
Experimente ser amado…

[Luís Fernando Veríssimo]



Não sei, mas a falta de escrever neste blog me faz pensar que quando tenho tempo e vontade de escrever não tenho muito o que falar.
Isso me lembra Guimarães Rosa que dizia que quando nada acontece existe um milagre que não estamos vendo. Sim, concordo com ele.
Acha que hoje estamos doentes. Melhor, vivemos um estado de letargia! A gente acha que é estranho as pessoas se gostarem, mas acha super normal ver pessoas se agredindo. Sem dizer no medo de amar, de se envolver e de se entregar aos sentimentos.

Bom, acho o amor romântico piegas. Sim, ele é historicamente datado nascendo no Romantismo. Isso sem dizer que Hollywood importa um modelo de relacionamento em que nos tornamos dependentes do outro quando na verdade o que deveria haver é cumplicidade entre as pessoas, amizade.

Quando vejo um casal velhinho passeando na rua de mãos dadas, me pergunto pelo que já devem ter passado até chegar ali. É um gesto de ternura.A beleza da juventude já passou, as incertezas do futuro quase se dissiparam e resta a amizade. Isso é o que mantém os relacionamentos vivos e vibrantes como as cores do arco-íris mesmo depois que a vida já imprimiu seus riscos como gravuras nos rostos e nos corações.

Vivemos um amor egoísta em que basta que estejamos com a pessoa ao nosso lado. Pouco importa se ela está feliz, satisfeita, alegre e realizada. O importante é aprisioná-la ao nosso lado e satisfazer nosso ego. O que é isso senão a mais mórbida das angústias e prisões feitas pelo coração humano. Devemos ser livres? Amar sem medida? Ser sentimentais? Ou quem sabe racionalizar?

Não há respostas. Há somente caminhos e opções que a vida nos dá e pelas quais somos responsáveis e seremos responsabilizados no futuro. Como diria Cazuza “Eu só quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida”.  É isso, figurativamente o pecado original, mas que figura entre as coisas mais simples da vida: o sabor de uma fruta mordida.



et cetera