Trecos e truques na caixa de Pandora











Mary & Max

Sempre quando a gente vê que há uma animação em cartaz a primeira coisa que passa pela cabeça é que deve ser bonitinha, inocente e, em última instância, até infantil.
Ontem fui assitir ao filme Mary & Max. O enredo é bastante simples: uma garotinha solitária de nove anos começa a se corresponder com um adulto desconhecido.
Ela é Mary Daisy Dinkle e tem oito anos, tem complexos, não tem atenção dos pais, a mãe tem problemas com alcoolismo e “pega emprestado” objetos nos supermercados enquanto o pai passa as horas vagas cuidando de pássaros empalhados e alheio ao mundo que rodeia a filha que, segundo a mãe, foi um acidente.
Ele é Max Jerry Horowitz, de 44 anos, vive na cinzenta Nova York e fequenta um grupo de pessoas que lutam para emagrecer, o único círculo social em que convive. Ele é um judeu que se autodenomina ateu e que cria peixes. A única pessoa com quem dialoga é seu psquiatra.
O elo que vai uní-los é a busca de um amigo, pois ambos vivem soterrados pela solidão de ser um indivíduo que não se encaixa na aparente nomalidade ditada pelo mundo.
Eles trocam cartas, experiências, doces e chocolates. Mas, para além disso, o filme evidencia a sensibilidade que há por trás da descomprometida e verdadeira amizade.

O filme não é “bonitinho” por ter um enredo alegrinho ou com final feliz. Sem essa de mamão com açúcar ou daqueles temas hollywoodianos tão batidos. Antes, evidencia através dos dilemas das personagens as tragédias pessoais que cada um enfrenta ao longo de vários anos.
Mary cresce, se torna adulta, tem sucesso profissional.
Max ganha um prêmio milionário.
Mas nada disso resolve as questões que cada um trazia dentro de si. E eles vão aprender que para além das perdas que a vida nos traz, existe sempre um motivo para recomeçar todos os dias. E a escolha é sempre nossa!

O filme caminha numa linha tênue entre a comédia e a melancolia provocando ora perplexidade ora um riso nervoso. A animação é feita de massinha, mas os temas são os mais realistas possíveis. É um daqueles filmes que a gente tm dificuldade em classificar porque foge aos rótulos.

Vejam vocês que a classificação etária dele é 12 ANOS!!! Isso mostra o despreparo de quem julgou este como um filme para crianças, pois a (des)animação toca em problemas muito sérios que naufragam vidas e mexem com a psique humana. Um filme tocante que comove crianças de 0 a 80 anos e que trabalha problemas de ordem pública e social como o alcoolismo, a depressão e as doenças mentais de forma humana e com um ótica singular.

SUPER RECOMENDO!

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Muito tempo sem aparecer por aqui… mas a copa acabou, entreguei parte do capítulo do meu trabalho e a vida continua.
De alguma forma, a gente sempre pressente quando chega um novo tempo na minha vida. Coisa de feeling, sexto sentido ou mesmo intuição; não importa o nome que a gente dê para isso.
Já faz um bom tempo que eu pressentia que este seria um ano paradigmático na minha vida. Não um ano em que a gente ganha na megasena (se bem que se um prêmio será muito bem-vindo =] ), que a gente compra um carro novo se endividando em mil e uma prestações ou o ano em que a gente faz aquela viagem que há muito tempo tinha planejado.
Há mudanças que são dentro da gente, que mexem com nossa estrutura psíquica, emocional e espiritual. Mudanças que, guardadas as devidas proporções, nos mostram que nossa vida por aqui é uma passagem, e efêmera. Enfim, nós passamos… e a espécie continua.
De alguma forma, eu sei que este é um ano que vai dizer muito sobre meu futuro. Ele está permeado por escolhas que não foram fáceis e por situações que tem me ensinado o quão humana eu sou.
Temos que tentar olhar para aquilo que é essencial: um gesto, uma palavra, um sorriso… Tudo isso vai passar, nós mesmos estamos passando e o que fica?
Penso, por exemplo, na grande comoção que nos causa a Copa do Mundo. De quatro em quatro anos o país de colore de verde e amarelo, as pessoas saem nas ruas, cantam o hino nacional… mas aí vem a eliminação e o espetáculo se desfaz como uma poeira que abaixa. Acho que temos muitos motivos para nos orgulhar de ser brasileiros: temos uma cultura lindíssima, autores como Machado, Guimarães, Drummond, Clarice; pagamos o FMI, nossa população tem muito mais mobilidade entre as classes sociais etc. Não me acho utópica, não tenho partido político, não tenho religião, embora acredite em Deus e todos os dias eu oro agradecendo pela oportunidade de mais um dia.
Temos que ser patrióticos nas eleições pensando no que queremos para nosso país e o que queremos para a geração que está nascendo.
Neste final de semana estive cuidando das minhas sobrinhas. Elas têm 5 e 3 anos, respectivamente. Pensei com alegria que elas não terão a mesma dificuldade que eu para chegar ao ensino superior. Isso nos acende a esperança: ver uma geração que tem mais oportunidade.
Sinto que este é um ano ímpar na minha vida, embora 2010 seja par RÁ! (*_*) E isso não significa que está sendo um ano fácil. Como disse, ele já começou permeado por escolhas! Tem sido de grande ensinamento as dificuldades, as oportunidades, os objetivos. Todo mundo se sente meio herói e meio moçinha em perigo às vezes… acho que isso faz parte! Ás vezes nosso coração diz “Continue”, noutras ele assinala uma bandeira branca pedindo somente paz.
Os dias vão se sucedendo, os meses vão passando e o ano vai acabando. E eu te pergunto: o que fica de mim e de você? Não sei… talvez o desejo de que as coisas sejam melhores, de que o mundo seja melhor, de que a vida seja mais generosa, de que os homens sejam mais compreensíveis. Mas o nosso amanhã começa hoj porque o futuro não passa de uma virtualidade.
Ore baixinho e peça forças para fazer do mundo ao seu redor um lugar onde a distância entre você e Deus seja o próximo, pois Ele sonda as nossas mentes e os nossos corações…



et cetera