Trecos e truques na caixa de Pandora











{08/07/2010}   Mary e Max – sobre a amizade e muito mais

Mary & Max

Sempre quando a gente vê que há uma animação em cartaz a primeira coisa que passa pela cabeça é que deve ser bonitinha, inocente e, em última instância, até infantil.
Ontem fui assitir ao filme Mary & Max. O enredo é bastante simples: uma garotinha solitária de nove anos começa a se corresponder com um adulto desconhecido.
Ela é Mary Daisy Dinkle e tem oito anos, tem complexos, não tem atenção dos pais, a mãe tem problemas com alcoolismo e “pega emprestado” objetos nos supermercados enquanto o pai passa as horas vagas cuidando de pássaros empalhados e alheio ao mundo que rodeia a filha que, segundo a mãe, foi um acidente.
Ele é Max Jerry Horowitz, de 44 anos, vive na cinzenta Nova York e fequenta um grupo de pessoas que lutam para emagrecer, o único círculo social em que convive. Ele é um judeu que se autodenomina ateu e que cria peixes. A única pessoa com quem dialoga é seu psquiatra.
O elo que vai uní-los é a busca de um amigo, pois ambos vivem soterrados pela solidão de ser um indivíduo que não se encaixa na aparente nomalidade ditada pelo mundo.
Eles trocam cartas, experiências, doces e chocolates. Mas, para além disso, o filme evidencia a sensibilidade que há por trás da descomprometida e verdadeira amizade.

O filme não é “bonitinho” por ter um enredo alegrinho ou com final feliz. Sem essa de mamão com açúcar ou daqueles temas hollywoodianos tão batidos. Antes, evidencia através dos dilemas das personagens as tragédias pessoais que cada um enfrenta ao longo de vários anos.
Mary cresce, se torna adulta, tem sucesso profissional.
Max ganha um prêmio milionário.
Mas nada disso resolve as questões que cada um trazia dentro de si. E eles vão aprender que para além das perdas que a vida nos traz, existe sempre um motivo para recomeçar todos os dias. E a escolha é sempre nossa!

O filme caminha numa linha tênue entre a comédia e a melancolia provocando ora perplexidade ora um riso nervoso. A animação é feita de massinha, mas os temas são os mais realistas possíveis. É um daqueles filmes que a gente tm dificuldade em classificar porque foge aos rótulos.

Vejam vocês que a classificação etária dele é 12 ANOS!!! Isso mostra o despreparo de quem julgou este como um filme para crianças, pois a (des)animação toca em problemas muito sérios que naufragam vidas e mexem com a psique humana. Um filme tocante que comove crianças de 0 a 80 anos e que trabalha problemas de ordem pública e social como o alcoolismo, a depressão e as doenças mentais de forma humana e com um ótica singular.

SUPER RECOMENDO!

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