Trecos e truques na caixa de Pandora











Sim, dias frios com vento que penetra e congela os poros.
Penso que dias como estes podem prenunciar outros mais bonitos e floridos que sem dúvida a primavera trará.
Não sei se temos força para continuar acreditando que as coisas vão mudar… ano de eleições! Ano de copa e os anos se sucedem enquanto sabemos que nós vamos passar, mas a espécie… ah, esta continua!
Andei lendo Caio Fernando Abreu… passional até a alma, dilacerante ler e alguma vez se ver um pouco refletido. Julgamos a superfície intacta do vazio, julgamos aquilo que vemos e pensamos saber o que sentimos. Vivemos com medo o tempo todo: medo de mudar o cabelo, o penteado, de casa, de emprego, de namorado, de cidade, de país… flores amarelas de medo!
Optamos pelo politicamente correto não porque é correto, mas porque é político. Por isso, encrenco com termos “politicamente corretos” porque eles dissimulam, na minha opinião, o que querem esconder amenizando o efeito, mas não extinguem a idéia. São como palavras de ordem carregadas de “politesse”.
No Brasil, todos os dias vejo as pessoas usando estes termos e isso me incomoda. Recentemente criou-se a distinção entre “motoqueiro” e “motociclista” para mostrar que um é irresponsável no trânsito e o outro é a outra face da moeda quando na verdade essa distinção não diz nada porque se você está dirigindo a sua moto e cai dela todo mundo vai parar para ajudar. Por isso, essas criações sociais que particularizam grupos segregando outros me são estranhos. Tudo bem querer separar joio de trigo, mas há que convir que é sempre uma tarefa árdua e difícil senão impossível.
É muito mais fácil, ao menos no Brasil, buscar por soluções mais rápidas, soluções paliativas. Sempre assim em qualquer parte. Está aí mais uma demonstração do “jeitinho brasileiro”! É mais fácil buscar por uma solução paliativa do que ir na raiz do problema. Enfim, daí vamos arrastando a coisa com a barriga e inventando novos termos mascaradores de ideologias que não mudam… mudam quando muito de roupagem, mas no fundo continuam sendo o mesmo de sempre.

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et cetera