Trecos e truques na caixa de Pandora











{25/04/2010}   O túmulo dos vagalumes

Há muito tempo ouço falar deste anime O Túmulo dos Vagalumes .
A história de dois irmãos, Seita e Setsuko, que vivem as consequências da Segunda Guerra Mundial no Japão.
A obra de Isao Takahata é baseada na história real narrada no livro Akiyuki Nosaka e é um tiro na consciência de cada um. Até a pedra mais resistente cede à sua força.
A obra é tocante do começo ao fim e comove os telespectadores. Mega produções hollywoodianas não conseguiram, na minha opinião, expressar a singeleza de um sentimento com os horrores da guerra explorando seus contrários como fez este desenho. É impossível ficar incólume. Todos desabam no final.

Recomendadíssimo:

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{08/03/2010}   Bread and roses

Neste dia DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES desejo saúde, paz e alegria a todas.

Seres humanos que com um toquen divino dão a vida a outros seres. Fortes como muralha e doces como o mel.

Mães, amigas, irmãs, companheiras, guerreiras, lutadoras, corajosas, tristes, alegres, trabalhadoras, sonhadoras: MULHERES.

História do 8 de março

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, iniciaram uma grande greve onde ocuparam a fábrica têxtil onde trabalhavam e faziam reivindicações de  melhores condições de trabalho exigindo a  redução da carga diária de trabalho para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Para além de uma data, a mulher deve ser respeitada em sua individualidade como ser humano.Ainda hoje casos de violência contra mulheres são comuns, os salários são mais baixos que os dos homens. Por isso, desfazer-se de um preconceito histórico é algo que deve ser feito todos os dias. Todos os dias é dia das mulheres!

Compartilho com todos vocêss a delicada mensagem enviada por um querido amigo:

“E tu caminhando chega/Serena e desobediente
Com o suor de tuas luzes/Chega nas sementes
No caule da vida! […]Uma bandeira inflamada
Feminina dentro do vermelho/Nua pelo vento
Juventude pelo amor/Nas mãos carregadas…
Sem ser ilusão industrial/E tu caminhando chega
Para ser filha/Chega ao mundo
No tempo da insurreição!”  (Charles Trocate)

Um grande beijo a todas as mulheres do mundo pela delicada força com que trazem luz e colorem este mundo. Muito tem que ser feito ainda, mas estamos no caminho!



Meu inferno astral está acabando. Em breve, o Sol entra no meu signo. Completarei mais um ano de vida. Sabe aquela sensação de que o tempo tá indo embora rápido demais? Pois é, ela não me deixa. Dá uma sensação de vazio e de que somos tão pequenininhos frente a grandeza da vida. Me considero pré-balzaquiana embora ainda não posso cantar a ‘Vinte nove’ da Legião. Sabe aquelas ruguinhas que acha que vai ter só aos 30? TRISTE ENGANO. Elas aparecem muito antes. Em volta dos olhos, linhas que começam a se desenhar como um desenho infantil. Mas sei que foram todos os meus sorrisos.
Fato que as lágrimas criaram verdadeiros bolsões, praticamente lençóis freáticos em minha face. Não posso reclamar, graças a ajuda do Roacutan hoje tenho um rosto de mulher e não mais espinhas de eterna adolescente.
O cabelo também está mudado. Parece mais frágil. Minha escova anda hemorrágica. #fato.
Semi varizes nas pernas, resultado de horas e horas de trabalho!¬¬
Sono constante + embriaguez instantânea. Uma cerveja me deixa ébria! Meu sonho de consumo são 8 horas de sono.
Fora a ânsia social de casamento, filhos, bons empregos, casa própria, ascensão.
Não, eu não plantei uma árvore, não escrevi um livro.
Não sou membro de Ong, não sou do movimento estudantil.
Não faço coleções importantes e raras, não gosto de comidas exóticas.

Não sei combinar vinhos e pratos.
Não to preocupada com o tratamento novo pra celulite, aquelas coisas que tem nomes que começam com linfo, sucção daquilo, ou sei lá que raios.
Não curto bronzeamento artificial, eu gosto de ser assim, transparente, filha óbvia da metrópole do ar condicionado.
Não quero emagrecer com sibutramina, encorpar com suplemento, ou malhar na academia.
Tenho que parir meu mestrado, não quero um carro zero e prestações milenares.
Não faço unhas na manicure, não leio Marie Claire, não quero saltos altos e camisas em seda. Prefiro meus sapatos boneca e um ar de eterna menina que sente o tempo passar e tem medo de envelhecer. Não pelo que a passagem dos anos representa, mas pela sensação de que ele é o tempo todo furtado de nós.

Tenho manias e me gosto de ter um dia em casa sem fazer nada, mas eles são cada vez mais raros.

Me dá uma certa nostalgia escutar a Legiao Urbana. Antes uma menina mulher, agora uma mulher menina!
Não quero crescer, eu acho.

Inspirado em artigo de blog homônimo sob o título de  [Crise dos 24.] 



Não sei, mas a falta de escrever neste blog me faz pensar que quando tenho tempo e vontade de escrever não tenho muito o que falar.
Isso me lembra Guimarães Rosa que dizia que quando nada acontece existe um milagre que não estamos vendo. Sim, concordo com ele.
Acha que hoje estamos doentes. Melhor, vivemos um estado de letargia! A gente acha que é estranho as pessoas se gostarem, mas acha super normal ver pessoas se agredindo. Sem dizer no medo de amar, de se envolver e de se entregar aos sentimentos.

Bom, acho o amor romântico piegas. Sim, ele é historicamente datado nascendo no Romantismo. Isso sem dizer que Hollywood importa um modelo de relacionamento em que nos tornamos dependentes do outro quando na verdade o que deveria haver é cumplicidade entre as pessoas, amizade.

Quando vejo um casal velhinho passeando na rua de mãos dadas, me pergunto pelo que já devem ter passado até chegar ali. É um gesto de ternura.A beleza da juventude já passou, as incertezas do futuro quase se dissiparam e resta a amizade. Isso é o que mantém os relacionamentos vivos e vibrantes como as cores do arco-íris mesmo depois que a vida já imprimiu seus riscos como gravuras nos rostos e nos corações.

Vivemos um amor egoísta em que basta que estejamos com a pessoa ao nosso lado. Pouco importa se ela está feliz, satisfeita, alegre e realizada. O importante é aprisioná-la ao nosso lado e satisfazer nosso ego. O que é isso senão a mais mórbida das angústias e prisões feitas pelo coração humano. Devemos ser livres? Amar sem medida? Ser sentimentais? Ou quem sabe racionalizar?

Não há respostas. Há somente caminhos e opções que a vida nos dá e pelas quais somos responsáveis e seremos responsabilizados no futuro. Como diria Cazuza “Eu só quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida”.  É isso, figurativamente o pecado original, mas que figura entre as coisas mais simples da vida: o sabor de uma fruta mordida.



A obra de Antoine de Sainte-Exupery é, sem dúvida, uma referência da literatura universal.

O prazer de ler O pequeno príncipe na infância perdura ao longo de toda a vida e faz das releituras da obra um encontro com um imaginário carregado de afeto e doçura. Amizade, o cuidado para com o outro, a amizade, e a simplicidade  são as tônicas que revestem o imaginário do leitor de um mundo de sensibilidade.

Quando eu era criança, lembro de ter assistido desenhos animados do Pequeno Príncipe. Fiquei super feliz quando vi que eles estão à venda. Lembro ainda vagamente da sensação de vazio e tristeza quando vi o último episódio do desenho. Agora os comprei, pois quero que minhas sobrinhas também tenham a infância marcada por uma história tão doce, sincera e afetuosa lembrando que nós seres humanos estamos aqui de passagem, seja porque pegamos carona no rabo de um foguete, seja porque amanhã é virtual e, portanto, o hoje é o que realmente temos e que nos escapa da mão.

Uma dica: visitem a exposição de O Pequeno Príncipe na OCA do Ibirapuera ( http://www.opequenoprincipe.com ). Está MAGNÍFICA tanto do ponto de vista lúdico quanto literário e histórico. Para adultos e crianças que têm o coração povoado pelo príncipe mais sensível que a literatura já produziu essa exposição faz uma viagem dentro de nós mesmos.

Le petit prince



{23/09/2009}   Infabilidade

Nos ensinam d muito cedo que temos ser sempres os melhores: temos que ter as melhores notas, os melhores brinquedos e nos relacionar com as melhores pessoas. O que ninguém ensina é como reagir diante da iminência de um fracasso. O homem atual parece mesmo é que nasceu programado para tudo e o ideal dele é tão estandartizado que chega a fazer pena.
Estamos sob a égide de uma geraçao saúde que quer ter boa forma e se entope de rios de Coca-Cola e dezenas de Mc Donalds. Se compra um jeans, muitas vezes, não pela qualidade, mas pela etiqueta pendurada que ele traz. Se proliferam clínicas de estética prometendo tratamentos mioraculosos para se retarder o envelhecimento… Porém o que menos se vê é as pessoas tendo tempo para escutar umas às outras, as pessoas se olhando nos olhos sem um olhar de julgamento ou sem a intenção de querer algo em troca.
A gente vive um momento de depauperação do ser humano muito peculiar. Se vive um dia-a-dia letárgico com doses cavalares de corrida contra o tempo. Consome-se cinema, literature, pintura e arte, mas nada commove. É uma pasmaceira só. Ouve-se falar de Bandeira, lembra-se da cara longilínea de Drummond, ouve-se ao longe Shakespeare e já conhecem Dom Quixote (de onde mesmo???). Os jornais arrastam figuras fantamasgóricas que assombram este país como Malufs e Sarneys. Vê-se a perpetuaçao de um coronelismo que continua…
Enquanto isso nos preocupamos se o Timão vai ser campeão, se a tintura do cabelo tá na moda e qual vai ser o novo hit do verão. Calma, ainda há tempo para se pensar no carnaval. Mas não se preocupem: de dois em dois anos tem o que se chama da festa da democracia: um bando de gente que vai lá exprimir sua opinião com um simples toque na urna (plim plim plim) e ver durante mais quatro anos um reinado de luxo e corrupção subjugar um povo que ainda é capaz de rir da própria dificuldade… talvez seja só efeito post mortem.



et cetera